O TIRO COM ARCO tem sido uma modalidade muito pouco divulgada no nosso País. Não obstante toda a gente saber o que é um Arco ou para que serve uma flecha, pouco mais se sabe deste salutar desporto.
É uma modalidade que sobrevive desde 8 000 AC.Muitos historiadores crêem que a intervenção remonta à Era Paleolítica.No entanto, foi no século XX, que o TIRO COM ARCO finalmente se consagrou como desporto.
A modalidade figurou nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna. No entanto devido à não existência de uma Federação Internacional que regulasse e uniformizasse a competição a nível mundial, a modalidade não viu defendidos os seus interesses, sendo retirada dos Jogos.
A Federação Internacional de Tiro com Arco – FITA, foi finalmente fundada em 1931, tendo a partir de então sido organizados Campeonatos Europeus e Mundiais. O desenvolvimento e expansão desta modalidade, fez com que nos Jogos Olímpicos de 1972, o Tiro com Arco fosse novamente integrado como desporto Olímpico.
A necessidade de melhorara pontuações, aliada ao conhecimento técnico do século XX, levou a uma evolução verdadeiramente espantosa do material de Tiro.Pode dizer-se que se evoluiu mais nos últimos 50 anos do que, no restante período de utilização do Arco.
Hoje, emprega-se a tecnologia do carbono na fabricação das flechas, palhetas, estabilizações, miras, etc. Mas apesar de toda a evolução a verdadeira arma não é o Arco, mas sim o seu utilizador.
Tendo os praticantes de alta competição materiais semelhantes, a luta pelas melhores pontuações vence-se ao nível da capacidade de resistência física e principalmente mental.
A resistência ao stress é posta em jogo em cada flecha. Ao longo de todo um dia de prova. O Tiro com Arco, é pois uma escola de disciplina de emoções, da vontade de si próprio. O atirador encontra em cada flecha um novo desafio, procurando pôr na sua execução um gesto técnico perfeito, repetidas vezes sem fim.
A ERA DO PALEOLÍTICO
Muitos historiadores crêem que a invenção do Arco remonta à Era Paleolítica (à antiga Idade da Pedra), período com um a dois milhões de anos e que terminou por volta de 8 000 AC.
Esta convicção é baseada em pinturas descobertas em cavernas Espanholas que datam do Período Paleolítico Superior.
Antes da descoberta da referida pintura, a única evidência da existência do Tiro com Arco eram as pontas de flechas em sílex, já que o Arco e as flechas, instrumentos de madeira, se decompõem com a passagem dos anos.
O princípio de funcionamento do Arco foi descoberto provavelmente por acidente.No entanto, o Arco ocupa um lugar tão importante e decisivo no desenvolvimento do Homem primitivo como a descoberta do fogo e a invenção da roda.
O Homem passou assim a possuir um instrumento que arremessava projécteis mais longe e de uma forma mais precisa do que a utilização pura e simples da sua força muscular.
Este facto, constitui um grande avanço para o caçador, pois permite o aumento da distância à presa, diminuindo os riscos e aumentando o factor surpresa.
Entre os Povos da antiguidade, os Egípcios foram os primeiros a ganhar fama como Arqueiros, utilizando o Arco como uma das principais armas de guerra. Os Arcos que utilizavam eram ligeiramente mais curtos que a altura de um homem, e as flechas tinham entre 60 e 80 centímetros.
O bronze era o metal mais usado para as pontas das flechas, embora também se fizesse uso da pedra. Durante este período, os Israelitas fabricavam os seus Arcos de junco, madeira ou osso, tanto par a guerra como para a caça.
A vulgarização do uso do Arco no Próximo Oriente coincide com o Período em que a Bíblia foi escrita. Nela se encontram inúmeras referências devido a este facto.
Outros povos deram também a sua contribuição ao Tiro com Arco nessa época.Os Assírios foram uma nação de Arqueiros. Já com Gregos isso não se passava, apesar de possuírem Arqueiros Cretenses no seu exército.Os Romanos seguiram o exemplo dos Gregos, pois embora não fossem Arqueiros, recrutavam habitantes da Ásia e de Creta para integraram as suas legiões.
No entanto, a indiferença romana ao uso do Arco terminou quando o antigo sistema legionário foi derrotado em Andrianópolis (378 DC).
A partir desta derrota, o exército imperial passou a integrar largo número de Arqueiros a cavalo.
Foi na Ásia que o uso do Arco atingiu o seu ponto mais alto. Desde cedo as nações Asiáticas tornaram-se conhecidas pela sua destreza no manejo desta arma.
Entre os conquistadores que utilizam o Arco, os mais conhecidos são Átila, rei dos Hunos e Genghis Khan.
Átila varreu a China e o Império do Oriente até aos rios Danúbio e Reno, com a sua horda de guerreiros. Os Hunos eram nómadas que guerreavam a cavalo tendo como principal arma o Arco. Átila foi finalmente derrotado pelas legiões romanas em Chalons-sur-Marne (França), no ano de 415 DC.
Genghis Khan era o chefe do grupo de pequenas tribos mongóis. No ponto alto das suas conquistas dominavam largas zonas de onde é hoje a China, Índia, Irão, a antiga URSS, e tal como Átila, os seus grandes sucessos deveram-se a um excelente organização e ao poder rápido de “jogo” dos seus Arqueiros montados a cavalo.
EUROPA DA IDADA MÉDIA
Muitos historiadores afirmam que o Longbow foi introduzido na Inglaterra pelos Normandos, que dominaram este país entre 850 e 950 DC. Outras fontes afirmam Que os ingleses só adoptaram o Longbow após a batalha de Hastings em 1066.
Nesta batalha os ingleses foram vencidos por William, o Conquistador, Duque da Normandia, que atravessou o Canal da Mancha vindo de França e atacou a costa da Inglaterra.
O Longbow esteve em evidência no decorrer da conquista da Normandia, tendo o rei Harold de Inglaterra sido morto por uma flecha inimiga.Depois desta derrota, o Arco assumiu grande importância como arma de guerra entre os ingleses.
A guerra dos Cem Anos (1337-1453) abarcou um período em que reinaram cinco reis franceses e ingleses. Tratou-se de uma guerra pelo domínio da França, na qual o Arco teve um significativo papel como arma militar.
Foram a infantaria e os Arqueiros Ingleses (considerados tropas inferiores) que venceram 3 das mais importantes batalhas deste período. A primeira e mais significativa foi a vitória da batalha de Crecy em 1346. Nesta batalha, a linha da frente dos exércitos Franceses era constituída por um grande corpo de besteiros Genoveses trazidos pelos Franceses para lutar contra o exército Inglês.
Devido a uma severa tempestade, os Genoveses foram derrotados, pois as cordas das suas Bestas não eram à prova de água. As cordas dos Arcos dos Ingleses estavam protegidas contra a chuva, não interferindo a água no sua prestação e eficácia.
A batalha de Poiteirs (1356) foi a segunda importante batalha ganha pelos ingleses, onde os Arqueiros tiveram importância.
Sob o comando do Príncipe de Gales, menos de 10.000 homens derrotaram mais de 60.000 Soldados Franceses.
Os Ingleses levaram os Franceses a atacar, simulando uma retirada. Uma vez chegados ao seu território, os Ingleses protegeram-se em posições previamente preparadas, protegidas por sebes, donde disparavam flechas contra os seus adversários desprotegidos.
Em 14 de Agosto de 1385 as hostes portuguesas, apoiadas por Arqueiros Ingleses e contando entre elas com besteiros nacionais, contribuíram de forma definitiva para a derrota de um exercito castelhano, com efectivos duas a três vezes superior, afirmando nesta batalha a continuidade da independência nacional.
Finalmente em 1415, depois de alguns anos de relativa paz, Henrique V de Inglaterra reacendeu a luta, saindo triunfante da batalha de Aghincourt. Neste caso os Ingleses entrincheiraram-se no cimo de um monte, protegidos contra avanços da cavalaria Francesa, por estacas apoiadas no solo. Os Franceses avançavam de fileiras cerradas contra uma nuvem de flechas Inglesas. Apesar destas vitórias, é irónico que tenham sido os ingleses a perder a guerra.
No lado oposto do continente Europeu, os Turcos e Persas estavam a dar um contributo significativo para a história do Arco.
O Arco que utilizavam era uma estrutura recurva composta por vários materiais. Osso, tendões, madeira e coia. Quando sem corda, o Arco curvava-se para a frente ficando com a forma de um “C”.
A técnica de tiro dos Turcos era única na época. A corda era puxada por um anel colocado no polegar, sendo a flecha colocada no lado direito do Arco em vez do esquerdo. Estes povos puxavam a corda até perto da orelha.
Em muitos Arcos, a zona que é hoje a janela do Arco, era alongada para trás sobre a mão de arco, de forma a permitir a utilização de uma flecha mais curta e leve, que assim seria projectada mais longe.
É interessante observar que apesar destas significativas diferenças entre o material e o próprio método de tiro, os registos escritos dos Ingleses desta época mostram que estes não apreciavam o Arco turco, pois embora reconhecessem a sua eficiência em conseguir lançar o projéctil mais longe, pensavam tratar-se de um Arco menos preciso.
O usa das armas de fogo começou por volta do Século XIII-XIV, marcando o início do declínio do arco como arma de guerra.
Entretanto, a Besta também vinha sendo preferida em relação ao Arco. Foi então que Henrique VIII de Inglaterra emitiu um decreto real proibindo o uso da Besta sob pena de prisão, já que pensava que o tradicional Longbow era mais preciso.
O reinado de Henrique VIII (1509-1547) foi um período activo para o Tiro com Arco, embora tivesse continuado a perder a importância como arma militar.O próprio rei e a sua segunda mulher, mãe da futura rainha Isabel I, eram atiradores. Roger Ascham, tutor de Isabel I, durante a sua infância ensinou à jovem princesa a arte do Tiro com Arco.
Ascham, em 1545 escreveu o livro “Toxiphilus” título que significa “aqueles que gostam de Tiro com Arco”., primeiro livro conhecido escrito sobre a prática da modalidade. No entanto, nos finais do reinado de Henrique VIII o Arco já praticamente tinha sucumbido à arma de fogo.
OS JOGOS OLIMPICOS DA IDADE MODERNA
Como sobreviveu então o uso desta arma até aos nossos dias? No caso da Inglaterra e da França a tradição transmitiu-se através das sociedades de Arqueiros, que já no século XVI reuniram os seus membros para a prática de competição de índole desportiva.
No entanto, foi no século XX que o Tiro com Arco, finalmente se consagrou como desporto.
A modalidade figurou nos primeiros Jogos Olímpicos organizados no princípio do século, em conjunto com outras actividades como as corridas, os saltos em comprimentos, etc.
No entanto, devido ao facto de não existir uma Federação Internacional que regulamentasse a competição a nível mundial, a modalidade não viu defendidos os seus interesses sendo retirada dos Jogos.A
A Federação Internacional de Tiro Com Arco - FITA, foi finalmente fundada em 1931, tendo a partir de então organizado os Campeonatos Europeus e do Mundo.
O desenvolvimento e expansão da modalidade, levaram a que nos Jogos Olimpicos de 1972 o Tiro com Arco fosse novamente integrado como Desporto Olimpico.
Federação Internacional de Tiro com Arco – FITA, foi finalmente fundada em 1931, tendo a partir de então organizados os Campeonatos Europeus e do Mundo. O desenvolvimento e expansão da modalidade, levaram a que nos Jogos Olímpicos de 1972 o Tiro com Arco fosse novamente integrado como desporto Olímpico.

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